Para um jovem de 13, 15, 17 anos, um adulto a partir dos 35-40 anos, que pode ser seu pai ou sua mãe, é já um “velhote”. Talvez seja natural essa leitura do mundo, pela diferença de idades, de gerações e de experiências enquanto jovens, muito diferentes daquelas que os seus pais tiveram e porque são os seus pais.
Hoje conheci, um pouco mais, a forma como os jovens nos vêem, a nós, mais velhos.
Uma jovem entra com a sua mãe numa sapataria. Passou-se em Évora.
Experimentava eu uns sapatinhos. Mãe e filha vagueavam à minha volta, observando os modelitos, quando começo a ouvir:
– Não gosto de nada!… (filha)
– Ó filha, olha experimenta uns destes, vão ficar-te bem! (mãe)
– Ó mãe… isso são “sapatos de velha”!
Virei-me, olhei para elas e depois olhei para os meus pés! Ainda só tinha o sapato do pé esquerdo calçado. Comparo e confirmo que tinha escolhido os tais “sapatos de velha”, segundo a classificação atribuída por aquela miúda…
Fiquei a pensar que além do número, cor e feitio, há ainda um outro atributo dos sapatos: “sapatos de velha”.

Ri-me e pensei que aquela jovem tem, ainda, muito que andar e aprender até estar pronta para calçar os “sapatos de velha”.
Só não os comprei porque não havia o meu número.
A funcionária da loja explicou que não tinha, porque são dos mais vendidos…
Vá se lá perceber…É como se diz por aí: “Gostos e cores não se discutem.”


