ATÉ SEMPRE CAMARADA ACÁCIO ALFERES! (1939-2023)

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ATÉ SEMPRE CAMARADA ACÁCIO ALFERES!

(1939-2023) – Lurdes Pratas Nico

 

Conheci o Eng. Acácio Alferes, em Évora, em contexto político e partidário. Por isso, quando a ele me dirigia, tratava-o como camarada, com muito respeito e admiração pela pessoa que era, acima de tudo. Muito afável, disponível, simpático e com sentido de humor.

Era também um contador de histórias. Fez-se à vida e a vida foi-se compondo, com mais ou menos dificuldades.

Nasceu a 10 abril de 1939 num monte da Casa Branca do Sado, onde viveu até aos 16 anos. Para ir à escola primária calcorreava 13 Kms.  Eram 13 para lá e 13 no regresso. No total, percorria 26 kms diários…

Frequentou o Liceu em Setúbal e em Évora e, em 1957, entra para o Instituto Superior Técnico, Lisboa, onde se formou em Engenharia Eletrotécnica (como trabalhador-estudante).

Em 1968 ingressou no ramo das telecomunicações dos CTT e, em julho desse ano, foi colocado em Évora. Daqui foi, ainda, para os serviços centrais da empresa, onde esteve até 1996, ano em que se aposentou.

Estas histórias conta-as no seu último livro: “Da Ribeira do Sado ao Templo de Diana”, livro que apresentou em fevereiro deste ano, na Biblioteca Pública de Évora, e onde estive presente para o felicitar, pessoalmente.

Quero partilhar uma história que nos contou nesse dia: quando era estudante em Lisboa as dificuldades eram muitas e o dinheiro pouco. Para o almoço ainda se arranjava uma refeição satisfatória, mas ao jantar comia, muitas vezes, um pãozinho com manteiga e meia leite. Valia-lhe o almoço, dizia ele!

Estava muito feliz naquele dia, na biblioteca, rodeado de amigos e da família. Alguns amigos e camaradas que fez no campo da luta partidária. Tinha amigos de várias forças políticas porque, como dizia, sabia separar a amizade da opção política de cada um. Começou por ser militante do MDP/CDE antes do 25 abril de 1974. Aderiu ao PS, mais tarde.

Como escreve no livro: “Em julho de 1974 fui nomeado vereador da Comissão Administrativa da Câmara de Évora e, nas primeiras eleições autárquicas da democracia concorri nas listas da FEPU e voltei a ser vereador. Passados anos fiz três mandatos na Assembleia Municipal nas listas do PS.” Defendeu, sempre, por   palavras e atos, os valores da democracia, liberdade e solidariedade.

Gostava de escrever e, muitas vezes, partilhou com os leitores deste jornal as suas reflexões e opiniões. Sempre objetivo e assertivo.

Faleceu no passado dia 24 de agosto. Ao peito, contou-me um familiar, pediu para levar um crachá alusivo aos valores que sempre defendera. De peito aberto. Sem medos. Como foi em vida.

Descanse em paz camarada Acácio Alferes!

Que saibamos honrar a sua memória.

Lurdes Pratas Nico (Vereadora eleita pelo PS – CMÉVORA)

 

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