Daqui a pouco, faz um ano que Évora foi proclamada Capital Europeia da Cultura (CEC) em 2027 e o que me leva a escolher este tema, para a crónica desta semana, é a ausência de comunicação de quem lidera a candidatura: a atual gestão da Câmara Municipal de Évora. Os munícipes pouco ou nada sabem sobre o que está a ser feito, desde que o anúncio foi tornado público, em dezembro de 2022. Os vereadores da oposição, quando questionados pelos munícipes sobre esse assunto, também pouco ou nada mais sabem.
Posto isto, colocam-se algumas reflexões:
- Qual a estratégia de comunicação da CEC para tornar público o que está a ser feito?
- Como se organizará Associação que irá gerir os milhões que estão destinados à CEC 2027, em termos dos seus associados e órgãos, por exemplo, a Comissão Executiva?
- De que forma vão participar as entidades locais e regionais nesse projeto?
- Desde as freguesias urbanas às rurais, como pode a CEC alavancar esses territórios, do ponto de vista cultural, económico, turístico?
Nas reuniões públicas de câmara (RPC), vamos questionando o Sr. Presidente da Câmara de Évora sobre o ponto de situação da CEC. Na última RPC, os vereadores da oposição exigiram ter acesso a mais informação e aos estatutos da associação que está a ser constituída. Finalmente e após, solicitação, tivemos acesso à versão intermédia da proposta de Estatutos para a Associação Évora 2027.
Tem sido um processo muito lento e pouco partilhado com a oposição e com os munícipes. A comunicação regional, seja ela em jornal escrito, online ou através das rádios locais poderia estar a ser utilizada para fazer chegar essa informação.
O VAGAR que dá mote à CEC 2027 traduz uma forma de estar, uma relação com tudo o que nos rodeia. Não traduz esta forma pouco partilhada de fazer as coisas….
Não basta dizer que está tudo no Bid-Book da candidatura (dossier) que, diria, muitos munícipes de Évora e do Alentejo desconhecem. Évora CEC 2027 tem de ser passada às populações para que estas sintam Évora CEC 2027 como sua. O sentimento de pertença não se institui por decreto, estatutos ou regulamento. Ele emerge das relações que os líderes, sejam eles políticos (ou não), conseguem estabelecer com as pessoas e o território.
Évora tem vagar a mais na sua liderança. Évora merece e exige outro andamento…
Lurdes Pratas Nico (Vereadora eleita pelo PS – CMÉVORA)


